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Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Gato Pardo

Para quem conhece, vocês estão mais que vacinados. Vocês não conhecem isto? São maiores de idade? Trazem o vosso cartão de cidadão, boletim de vacinas e resgisto criminal? Não? Fantástico!!!

Equitação 2.0

28.03.15publicado por Gato Pardo

Mantenho a minha opinião sobre a equitação. Mundo extraordinário, esse.

É extraordinário como é que ainda não me esbardalhei todo, como é que as dores já são razoavelmente suportáveis e mais importante, como é que raio o instrutor acha que vai fazer de mim um gajo capaz de montar a cavalo com o mínimo de dignidade.

A dignidade do animal, claro está. A minha já se foi uns anos atrás.

Até sempre, recluso poeta

25.03.15publicado por Gato Pardo

Herberto Helder partiu.

Amanhã haverá uma parafernália de gente a fazer fila à porta dos grandes livreiros em busca das suas obras. É curioso mas é sempre assim. É preciso morrer para ser dado o devido valor e crédito a um escritor. Pelo menos, aos que valem realmente a pena. Triste, essa realidade.

Admito que era um desconhecedor absoluto da obra de Herberto Helder. Uns meses atrás, uma amiga disse-me o seguinte...

- Sabes, fazes-me lembrar um poeta português... - disse.

- Improvável. Se existe algo que efectivamente sou incapaz de escrever, é poesia. - retorqui.

- Conheces Herberto Helder? - questionou-me.

- Hum...Assim de repente, não me diz nada. Mas porque te faço lembrar ele?

- Vocês partilham algumas particularidades. A reclusão, o quase anonimato, o pouco gosto por registos fotográficos.

- Epá, já gosto mais dele e tudo...

Fiquei curioso. Dei por mim nas mãos com um exemplar emprestado de "Servidões". Emprestado, porque segundo o que vim a saber a posteriori, não foi lançada segunda edição por exigência expressa do autor. Li o livro em perfeito silêncio. Devorei cada palavra. E não me matou a fome. Pelo contrário, fiquei sequioso de mais. E eu não sou um particular adepto de poesia. Mas havia algo na maneira de escrever do Herberto que mudou algo em mim.

(…) farejo-te,
mordo-te a nuca, lambo,
e faminto me meto por ti adentro,
rebento os selos,
marco-te a fogo,
levíssima visita à minha sêca luz e arrebatada fome, (…)

Relembro que falamos de um homem que já havia completado 80 anos. Mas que escrevia com a leveza de uma brisa de Primavera.

O nosso património literário está a definhar lentamente. Perigosamente. E não vejo dignos representantes de empunhar o estandarte deixado por estes gentis gigantes. Reclusos por opção, anónimos por convicção , mas enormes.

Dia do Pai

19.03.15publicado por Gato Pardo

É algo ímpar a velocidade com que as coisas mudam. Afinal de contas, o mundo não pára, a nossa personalidade molda-se, a nossa forma de estar altera-se de acordo com o que aprendemos, sofremos ou passamos.

Hoje foi o Dia do Pai. O teu dia.

Já foste muita coisa. Foste herói aos meus olhos de criança, vilão perante o meu olhar de adolescente e hoje és alguém. Somente.

És meu pai, não há como o negar. Possuo demasiados traços de personalidade teus, mesmo que o quisesse negar. O problema é que as tuas poucas virtudes não fazem pender a balança perante a gravidade de alguns defeitos.

Hoje dei por mim a ligar-te, como faço todos os anos. Não te vou mentir. A cada ano que passa, torna-se cada vez mais uma obrigação do que um verdadeiro desejo. Não me entendas mal. Não é que te deseje mal mas não temos nada a dizer. Não há nada que nos ligue.

Somos dois adultos que roçam o desconhecido. Tu já não sabes quem eu sou e eu já não tenho qualquer interesse em saber verdadeiramente em quem tu te tornaste. É triste, eu sei. Ambos olhamos um para o outro e vemos aquilo que fomos no passado. Eu, o filho que um dia desafiou o teu autoritarismo e que pagou o preço com treze anos de silêncio. Tu, o pai que...bem, que nunca soube bem o que essa palavra significava.

No entanto, sei que aprendeste a lição. A vida deu-te uma segunda oportunidade para corrigires alguns erros. Vejo isso na forma como ela te adora, te idolatra, o brilho nos olhos dela quando fala de ti. E ela já não é uma criança. É uma adulta, pensa por ela mesma, sabe o que quer.

Perdeste um filho muitos anos atrás. Não cometas o mesmo erro uma segunda vez.

Hoje desejei-te um feliz Dia do Pai. Porque o és. Mas não de coração.

Equitação é realmente anti stress. Mas dá cabo do lombo a um gajo...

15.03.15publicado por Gato Pardo

A equitação é um mundo extraordinário.

Não só porque os cavalos são animais extraordinários mas também porque é extraordinária a quantidade de adubo que eles conseguem produzir em tão pouco tempo.

Uns tempos atrás sugeriram-me a equitação como medida anti stress para a minha vida. Ainda perguntei se me estavam a sugerir fumar cavalo mas não. Ao que parece, não era um retrocesso aos meus loucos anos 90, mas sim aprender a montar. Cheguei à conclusão que levando em conta que a morte é algo inevitável, ser espezinhado por um animal de olhar dócil de 400kg é substancialmente melhor do que ser esfaqueado com um alfinete de peito por uma sósia da Margarida Rebelo Pinto com problemas psicológicos graves. E assim foi tomada a decisão.

A primeira aventura foi a compra do equipamento.

Primeira paragem. Toc. Ok, é um capacete mas a malta gosta de nomes pomposos. Nada de extraordinário, não tivesse eu de enfiar uma farta trunfa dentro daquilo. Segunda paragem. Calças. Ok, são umas calças. JUSTAS. MUITO JUSTAS, PORRA! Deixem-me colocar a coisa desta forma. Não há forma humanamente possível de um homem ter uma erecção dentro de umas calças daquelas. Mais facilmente a Sónia Brazão explode com o planeta sem recurso a bicos do fogão. Vestir umas calças daquelas é o mais próximo de uma experiência de auto asfixia erótica local (sim, mais localizada é impossível...). Terceira paragem. Botas. São botas, basicamente isso. Desenhadas para o Dia do Juízo Final, para suster todo o tipo de agressões possíveis e imaginárias entre as quais, pisar enormes poias capazes de rivalizar em tamanho com o Wilson do Cast Away (vão ver a porra do filme, seus incultos...). Done. Depois de devidamente aperaltado, já me sentia a Sónia Matias cá do sítio (infelizmente o meu cabelo comprido não me permite dizer o Joaquim Bastinhas. Embora a Sónia seja loura e eu seja moreno).

E ontem foi dia de primeira aula. Ilações a retirar?

 Dor. Uma imensa e localizada dor nas costas devido a uma péssima postura, equilíbrio inconstante (pode ter sido da garrafa de tinto alentejano que marchou ao almoço, nunca se sabe. Já sabe, se vai conduzir um cavalo, não beba...) e a morte de milhões de espermatozóides por esmagamento constante dos testículos com uma sacana de uma sela enquanto o animal andava a trote feliz da vida.

Queixam-se das dores após uma sessão de ginásio?

Das pernocas após maratonas de não sei quantos kms?

Venham fazer equitação que depois a gente fala...

Só para encerrar este post, a banda sonora de volta a casa foi o "F*ck the pain away" da Peaches. Mais adequado que isto, foi impossível.