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Gato Pardo

Para quem não conhecia, saiam enquanto é tempo...Para quem já conheceu, puxem duma cadeira...Vem aí a versão 2.0...

Equitação 2.0

Mantenho a minha opinião sobre a equitação. Mundo extraordinário, esse.

É extraordinário como é que ainda não me esbardalhei todo, como é que as dores já são razoavelmente suportáveis e mais importante, como é que raio o instrutor acha que vai fazer de mim um gajo capaz de montar a cavalo com o mínimo de dignidade.

A dignidade do animal, claro está. A minha já se foi uns anos atrás.

Até sempre, recluso poeta

Herberto Helder partiu.

Amanhã haverá uma parafernália de gente a fazer fila à porta dos grandes livreiros em busca das suas obras. É curioso mas é sempre assim. É preciso morrer para ser dado o devido valor e crédito a um escritor. Pelo menos, aos que valem realmente a pena. Triste, essa realidade.

Admito que era um desconhecedor absoluto da obra de Herberto Helder. Uns meses atrás, uma amiga disse-me o seguinte...

- Sabes, fazes-me lembrar um poeta português... - disse.

- Improvável. Se existe algo que efectivamente sou incapaz de escrever, é poesia. - retorqui.

- Conheces Herberto Helder? - questionou-me.

- Hum...Assim de repente, não me diz nada. Mas porque te faço lembrar ele?

- Vocês partilham algumas particularidades. A reclusão, o quase anonimato, o pouco gosto por registos fotográficos.

- Epá, já gosto mais dele e tudo...

Fiquei curioso. Dei por mim nas mãos com um exemplar emprestado de "Servidões". Emprestado, porque segundo o que vim a saber a posteriori, não foi lançada segunda edição por exigência expressa do autor. Li o livro em perfeito silêncio. Devorei cada palavra. E não me matou a fome. Pelo contrário, fiquei sequioso de mais. E eu não sou um particular adepto de poesia. Mas havia algo na maneira de escrever do Herberto que mudou algo em mim.

(…) farejo-te,
mordo-te a nuca, lambo,
e faminto me meto por ti adentro,
rebento os selos,
marco-te a fogo,
levíssima visita à minha sêca luz e arrebatada fome, (…)

Relembro que falamos de um homem que já havia completado 80 anos. Mas que escrevia com a leveza de uma brisa de Primavera.

O nosso património literário está a definhar lentamente. Perigosamente. E não vejo dignos representantes de empunhar o estandarte deixado por estes gentis gigantes. Reclusos por opção, anónimos por convicção , mas enormes.

Dia do Pai

É algo ímpar a velocidade com que as coisas mudam. Afinal de contas, o mundo não pára, a nossa personalidade molda-se, a nossa forma de estar altera-se de acordo com o que aprendemos, sofremos ou passamos.

Hoje foi o Dia do Pai. O teu dia.

Já foste muita coisa. Foste herói aos meus olhos de criança, vilão perante o meu olhar de adolescente e hoje és alguém. Somente.

És meu pai, não há como o negar. Possuo demasiados traços de personalidade teus, mesmo que o quisesse negar. O problema é que as tuas poucas virtudes não fazem pender a balança perante a gravidade de alguns defeitos.

Hoje dei por mim a ligar-te, como faço todos os anos. Não te vou mentir. A cada ano que passa, torna-se cada vez mais uma obrigação do que um verdadeiro desejo. Não me entendas mal. Não é que te deseje mal mas não temos nada a dizer. Não há nada que nos ligue.

Somos dois adultos que roçam o desconhecido. Tu já não sabes quem eu sou e eu já não tenho qualquer interesse em saber verdadeiramente em quem tu te tornaste. É triste, eu sei. Ambos olhamos um para o outro e vemos aquilo que fomos no passado. Eu, o filho que um dia desafiou o teu autoritarismo e que pagou o preço com treze anos de silêncio. Tu, o pai que...bem, que nunca soube bem o que essa palavra significava.

No entanto, sei que aprendeste a lição. A vida deu-te uma segunda oportunidade para corrigires alguns erros. Vejo isso na forma como ela te adora, te idolatra, o brilho nos olhos dela quando fala de ti. E ela já não é uma criança. É uma adulta, pensa por ela mesma, sabe o que quer.

Perdeste um filho muitos anos atrás. Não cometas o mesmo erro uma segunda vez.

Hoje desejei-te um feliz Dia do Pai. Porque o és. Mas não de coração.

Equitação é realmente anti stress. Mas dá cabo do lombo a um gajo...

A equitação é um mundo extraordinário.

Não só porque os cavalos são animais extraordinários mas também porque é extraordinária a quantidade de adubo que eles conseguem produzir em tão pouco tempo.

Uns tempos atrás sugeriram-me a equitação como medida anti stress para a minha vida. Ainda perguntei se me estavam a sugerir fumar cavalo mas não. Ao que parece, não era um retrocesso aos meus loucos anos 90, mas sim aprender a montar. Cheguei à conclusão que levando em conta que a morte é algo inevitável, ser espezinhado por um animal de olhar dócil de 400kg é substancialmente melhor do que ser esfaqueado com um alfinete de peito por uma sósia da Margarida Rebelo Pinto com problemas psicológicos graves. E assim foi tomada a decisão.

A primeira aventura foi a compra do equipamento.

Primeira paragem. Toc. Ok, é um capacete mas a malta gosta de nomes pomposos. Nada de extraordinário, não tivesse eu de enfiar uma farta trunfa dentro daquilo. Segunda paragem. Calças. Ok, são umas calças. JUSTAS. MUITO JUSTAS, PORRA! Deixem-me colocar a coisa desta forma. Não há forma humanamente possível de um homem ter uma erecção dentro de umas calças daquelas. Mais facilmente a Sónia Brazão explode com o planeta sem recurso a bicos do fogão. Vestir umas calças daquelas é o mais próximo de uma experiência de auto asfixia erótica local (sim, mais localizada é impossível...). Terceira paragem. Botas. São botas, basicamente isso. Desenhadas para o Dia do Juízo Final, para suster todo o tipo de agressões possíveis e imaginárias entre as quais, pisar enormes poias capazes de rivalizar em tamanho com o Wilson do Cast Away (vão ver a porra do filme, seus incultos...). Done. Depois de devidamente aperaltado, já me sentia a Sónia Matias cá do sítio (infelizmente o meu cabelo comprido não me permite dizer o Joaquim Bastinhas. Embora a Sónia seja loura e eu seja moreno).

E ontem foi dia de primeira aula. Ilações a retirar?

 Dor. Uma imensa e localizada dor nas costas devido a uma péssima postura, equilíbrio inconstante (pode ter sido da garrafa de tinto alentejano que marchou ao almoço, nunca se sabe. Já sabe, se vai conduzir um cavalo, não beba...) e a morte de milhões de espermatozóides por esmagamento constante dos testículos com uma sacana de uma sela enquanto o animal andava a trote feliz da vida.

Queixam-se das dores após uma sessão de ginásio?

Das pernocas após maratonas de não sei quantos kms?

Venham fazer equitação que depois a gente fala...

Só para encerrar este post, a banda sonora de volta a casa foi o "F*ck the pain away" da Peaches. Mais adequado que isto, foi impossível.

Uma caixinha catita que permite pesquisar as entranhas dos últimos anos de posts. Muito útil, principalmente porque nem eu já me lembro de metade do que escrevi...

 

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Este obra para além de estar razoavelmente bem escrita (se assim não fosse, não havia tanta gente a plagiá-la), está também licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional.

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